Tipos de Comunidades

Condomínio de AranhasQuando estou com pessoas de negócios, muitas vezes sinto que preciso distinguir entre os diferentes tipos de comunidades que se formam ao redor dos diversos rossios1 (commons) de software livre. É comum caracterizarmos os membros da comunidade como “desenvolvedores” (conforme a visão “open source” costuma enfatizar) ou “usuários” (conforme a visão “Free Software” costuma enfatizar).  Mais do que isso, o uso do termo “comunidade” para todos os estilos de envolvimento gera confusão, especialmente quando ligado às motivações para participação.

Tenho acompanhado várias interações com as comunidades feitas por diversas empresas e indivíduos e discutido este assunto com diferentes pessoas, e parece-me que existem quatro tipos diferentes de comunidades relacionadas ao desenvolvimento de software, separados em dois grupos. Estas classificações não são absolutas, com limites rígidos e claros e a maioria das comunidades se enquadram em dois desses tipos, mas a distinção é útil quando se discute comunidades. As categorias são:

  • Comunidades de Co-Desenvolvedores – onde os participantes compartilham amplo acesso de escrita a um rossio de software livre específico, usando normas e licenças de código aberto
    • Co-desenvolvedores principais – pessoas cuja participação principal é de implementar,  desenvolver e manter o código no rossio;
    • Co-desenvolvedores de Extensão (extensores) – pessoas que co-desenvolvem softwares que aumentam ou agregam o código do rossio, por exemplo, fazendo extensões, plug-ins, localizações e distribuições;
  • Comunidades de implantadores – onde o compromisso principal com o código envolve uma instância em execução que é configurada e executada pelos membros da comunidade, em conjunto com outro software
    • Desenvolvedores-Implantadores – pessoas que usam o conteúdo do rossio e o configuram e personalizam para implantação;
    • Usuários – pessoas que utilizam – e cujo empregadores talvez paguem – o trabalho dos Desenvolvedores-implantadores e o coloca em uso produtivo.

Camadas aninhadas da comunidade - diagrama oval - (c) 2010 Simon Phipps - CC-BY-SA

Na minha opinião, este modelo dos tipos de comunidades foi desenvolvido gradualmente ao longo do tempo. Sem citar nomes, eu tenho observado, especialmente os seguintes pontos decorrentes do modelo:

  1. Existem quatro tipos diferentes de comunidades aqui, mas as pessoas podem exercer papéis diferentes em diversas comunidades. Por exemplo, mantenedores de pacotes trabalhando na distribuição de um sistema operacional poderão ser Extensores no que diz respeito ao código que estão empacotando e Originadores no que diz respeito à distribuição. E muitas pessoas nos outros três papéis serão também Usuários.
  2. As pessoas podem assim desempenhar também vários papéis dentro de uma comunidade. Um Implantador-desenvolvedor pode assim contribuir código como um Originador enquanto trata de problemas durante a implantação, por exemplo.
  3. Há várias maneiras diferentes de contribuir para o rossio enquanto se participa da comunidade. Os usuários são, com frequência, uma fonte crucial para as documentações, os estudos de casos, os relatos de bugs e solicitações de recursos e o papel de Usuário não deve ser, de maneira alguma, considerado sem importância.
  4. As liberdades que as pessoas precisam que sejam protegidas variam entre os papéis. Por exemplo, é provável que um usuário veja a proteção contra aprisionamento como uma liberdade principal e que queira opções de Implantadores-desenvolvedores trabalhando por ele, bem como o uso de padrões abertos pelos Originadores. Enquanto  o original Quatro Liberdades fornece uma linha de base, estou cada vez mais convencido de que aqui existem mais liberdades que precisam de proteção.
  5. A forma com que uma organização comercial interage com as comunidades deve respeitar tanto o papel que a organização desempenha com respeito à comunidade, como também os papéis das pessoas que desejam influenciar. Tratando todos como se fossem, por exemplo, Implantadores-desenvolvedores, levará a reações negativas da parte dos Originadores e Extensores.

Eu usei este modelo amplamente na Sun para assessorar as equipes de engenharia, marketing e gerenciamento nos seus relacionamentos com as comunidades. Ter uma terminologia compartilhada para distinguir os papéis foi importante para evitar a suposição de que todos querem dizer a mesma coisa quando se diz “comunidade”, especialmente quando há pessoas que pensam que “comunidade” é sinônimo de “mercado”.


  1. Rossio é um conjunto de recursos utilizados em comum e equitativamente por uma determinada comunidade. Termo do Português coloquial que possui as mesmas origens culturais do termo inglês “commons”.

[Original version in English]

[Traduzido por Ana Whitby e Bruno Souza]


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