☆ The case for “rossio”

Raucous Currawong[Versão em português no final – Portuguese version at the end]

“When I use a word,” Humpty Dumpty said, in rather a scornful tone, “it means just what I choose it to mean — neither more nor less.”

In translating my article “Community Types” into Portuguese, Bruno, Ana and I ran into an interesting challenge. I frequently refer to the “free software commons” that is at the heart of any open source community, meaning the pool of software under an open source licence that community members collaborate to maintain. In English, I use the word “Commons” more as a reference to its American English usage, popularised for cultural artefacts by the Creative Commons movement, than to the original English usage which related to a resource shared by a privileged and select few.

But in every-day Portuguese, the concept seems to be largely absent. The most common practice is to take a phrase like mine and leave it untranslated (“Commons do Software Livre”), or to use a phrase like “bem comum” (“communal property”). Neither is satisfactory. The former lacks the cultural echoes necessary to give the term depth of meaning. The latter frankly sounds weird, both in Portuguese (“bem comum do software livre”) or English (“communal free software property”).

None of us knew what to do, but before the seemingly inevitable compromise I asked on Identi.ca. Fairly quickly FSF-LA’s Alexandre Oliva came up with a great answer. He pointed us to a paper by the late Professor Imre Simon proposing the adoption of a somewhat defunct term from European Portuguese, “rossio”. The word has a historical origin meaning exactly the same as “commons” and is used as the colloquial name for the central square in Lisbon, but seems unfamiliar to all the Portuguese-speakers I have asked. Indeed, the paper itself says:

Para começar, vale esclarecer nosso título, que sem dúvida soa enigmático. O que é o rossio não-rival? (Before we get started, we should clarify our title, which may appear somewhat enigmatic…)

We then heard from one of the co-authors of the paper, Miguel Vieira, confirming that the term “rossio” was indeed coined in this context for just the purpose I was suggesting. The fact that “rossio” is not understood by most Portuguese speakers today need not be an obstacle; the term “commons” used to describe a shared software repository or cultural asset was just as unfamiliar to many English speakers until Creative Commons repurposed it and indeed remains unfamiliar to many today. Language grows when people choose to attach meaning to a word.

Given the regard Professor Simon is held by the people I have spoken to, both as an educator and as a software freedom pioneer in Brazil, it seems highly appropriate to pick up his suggestion – as we hope others will do – and appropriate the term “rossio” to mean “commons” throughout my writing. So that’s what we intend to do in future.



Em defesa do “rossio”

“Quando eu uso uma palavra,” disse Humpty Dumpty, em um tom de desdém, “significa exatamente o que eu escolhi significar — nem mais nem menos.”

Traduzindo meu artigo “Community Types” para o português, Bruno, Ana e eu encontramos um desafio interessante. Eu frequêntemente me refiro ao “free software commons” que está no coração de qualquer comunidade software livre, e que significa o conjunto de software sob uma licença livre e que membros da comunidade colaboram para manter. Em inglês, eu uso a palavra  “Commons” mais como uma referência ao seu uso no inglês americano, popularizado para artefatos culturais pelo movimento Creative Commons, do que o seu uso original do inglês britânico que se refere a um recurso compartilhado por uns poucos privilegiados.

Mas, no português do dia a dia, esse conceito parece ser inexistente. A prática mais comum é manter uma frase como a minha e deixá-la não traduzida (“Commons do Software Livre”), ou usar uma frase como “bem comum”. Nenhuma das opções é satisfatória. A primeira perde os ecos culturais necessários para dar ao termo o significado profundo pretendido. A segunda parece estranha, tanto em português (“bem comum do software livre”) ou em inglês (“communal free software property”).

Nenhum de nós sabia o que fazer, mas antes de fazermos uma escolha aparentemente inevitável, eu perguntei na Identi.ca. Rapidamente Alexandre Oliva da FSF-LA nos trouxe uma ótima resposta. Ele indicou um artigo do falecido Professor Imre Simon propondo a adoção de um esquecido termo do português europeu, “rossio”. A palavra tem a origem histórica que significa exatamente a mesma coisa do que “commons” e é usado como nome coloquial da praça central de Lisboa. Infelizmente, é um termo desconhecido por todos os que falam português que eu contactei. Mesmo o artigo concede isso:

Para começar, vale esclarecer nosso título, que sem dúvida soa enigmático. O que é o rossio não-rival?

Nós entao recebemos a informação do co-autor do artigo, Miguel Vieira, confirmando que o termo “rossio” foi de fato usado nesse contexto exatamente para o propósito que eu estava sugerindo. A realidade de que “rossio” não é uma palavra conhecida pela maioria dos que falam português hoje não precisa ser um obstáculo; o termo “commons” usado para descrever um repositório compartilhado de software ou um conteúdo cultural também era desconhecido para muitos que falam inglês até que a Creative Commons aplicou o termo com esse novo propósito, e até hoje ainda é um termo desconhecido para muitos. A língua cresce quando as pessoas escolhem aplicar um significado a uma palavra.

Dado que todos com quem conversei tem grande respeito pelo Professor Simon, tanto como um educador, mas também como um pioneiro da liberdade de software no Brasil, nos parece altamente apropriado usarmos sua sugestão — como esperamos que outros farão — e passar a utilizar o termo “rossio” como significado de “commons” em todos os meus textos. É isso que pretendemos fazer no futuro.

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8 Responses

  1. I looked “rossio” in every pt_* dictionary that I know of and all of them say it means a large square or a field used publicly by people to harvest whatever there is to harvest.

    I have never ever seen anyone use it here in Brazil, both in the traditional media as well as in IT.

    Every language has terms that cannot in any way be translated to another language with a single word (or even a few). Some express feelings and situations that is hard to describe if you don’t have all the cultural background that comes with being a citizen of your country.

    Just a heads up, most people will read “rossio”, think “wtf!?”, look it up in the dicitonary and find “abandoned land, large square, whatever” and wonder it has to do with free software.

    As for what to use instead, I’d give up on using a 2- or 3-word expression and instead explain it briefly. Portuguese is not a very concise language and there are a LOT of English terms that cannot be translated word by word to it.

    • The fact that “rossio” is not understood by most Portuguese speakers today need not be an obstacle; the term “commons” used to describe a shared software repository or cultural asset was just as unfamiliar to many English speakers until Creative Commons repurposed it and indeed remains unfamiliar to many today. Language grows when people choose to attach meaning to a word. (I’ve added this to the article, thanks for your input)

      • Simon,

        Thanks for contributing to Portuguese speakers’ “linguistic rossio”, and for the tribute to prof Imre Simon. I’m happy you found my (well, his) suggestion usable, and I very much agree with the reasoning to adopt it and promote it.

        Heh, I hadn’t realized, before writing this snip, that you had his surname as first name. Quite fitting! 🙂

        Best,

  2. Bruno, gostei da idéia. A nossa área já é afligida o suficiente por traduções imprecisas, insuficientes ou inexistentes.
    Giovanni, no Priberam a definição de rossio é:

    1. Terreno largo, fruído em comum pelo povo.

    O que é exatamente a definição de commons, como em Boston Commons, para quem conhece a dita cuja cidade. O fato de que um termo seja raro depõe mais contra o vernáculo do profissional brasileiro de tecnologia (ou, para ser justo, com o profissional brasileiro em geral) do que contra a adequação do termo. No caso do termo em questão que é a exata tradução, não há porque haver celeuma. Note que “commons” também não é um termo corrente em inglês desde o século XVIII.

  3. Thanks for the gratuitous personal attack and good luck with getting people to use the words you think are more appropriate. I doubt anyone will care.

    • Huh? Who attacked you (in English at least)? You seem very free with your opinions for some anonymous guy.

    • Giovanni,

      Minha intenção não foi atacar sua opinião e nem a sua pessoa e se você assim interpretou meu comentário, lamento muito. Minha opinião permanece a mesma: no Brasil temos, infelizmente, o hábito de nivelar por baixo assuntos e discussões de cunho intelectual, até para não causar desconforto e discussão. Se alguns não se mexerem, cada um no seu rincão, para reverter esse traço da nossa cultura, a situação só tenderá a piorar.
      Quando o NY Times usa uma palavra digamos, incomum no inglês coloquial, não se sente na obrigação de “esclarecer” para a patuléia o que siginfica aquela palavra, ao contrário do que acontece com a Falha de S. Paulo, por exemplo. Não sei quanto a vocês, mas acho que isso é vergonhoso e depõe contra a inteligência do brasileiro médio.

  4. Interesting the mix of Portuguese and English on the comments, specially when one language references the other… Sorry for the non-Portuguese speakers for the confusion 🙂

    Giovanni, I understand (and in a way, agree) with your comment, this is part of why we’re posting this explanation. On the discussion, I took the “devil’s advocate” role of repeating that it is a very unknown word (the most we can expect is people to remember it is a street in Sao Paulo…), and that would be its major flaw.

    But, although not very known, it does means exactly what we refer here to… A common ground that is shared. It is the same historical reference that the word “commons” had, and, as Allan points out, like “commons” it is not a current term, but something used a few of centuries ago…

    Anyway, this decision was controversial inside the team, outside with the several persons we discussed with, and, in my opinion, whatever choice we took, would have its drawbacks.

    But, it proved to be a nice conversation point all around!

    Thanks!

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